terça-feira, 26 de abril de 2011

10 de Abril 2011 – Marrakesh, por Cristina Ribeiro

10 de Abril de 2011

Marrakesh

Acordámos às nove com muita dificuldade. Tínhamos entrado na véspera tão perdidos de sono que não tínhamos tido oportunidade para ficar com uma ideia do hotel. É engraçado, construído em torno de um pátio central em forma de hexágono, com direito a piscina para banhos e SPA. (…) Ao acordar foi só vestir e descer para o pequeno–almoço. À hora combinada lá estávamos todos a tomar o costumeiro pequeno-almoço de hotel.

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Às dez estava previsto partirmos para um tour guiado (…) Atrasos sobre atrasos e partimos eram 10:45.

A primeira paragem foi nos jardins Majorel. Obedece ao amor particular que os povos do deserto têm aos espaços verdes e com água. Foi comprado e restaurado por Yves Saint Laurent para um seu namorado, e tem um memorial minimalista ao costureiro perante o qual a Rita disse: “Havia muito para dizer mas não temos tempo”.

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Depois de deambular pelos jardins, que deram belas fotos de rãs, cactos e cágados, matizados por entre o azul cobalto e o verde,

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dirigimo-nos para a antiga Mesquita Koutoubia com um minarete que sobranceia toda a Marrakesh antiga.

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De seguida fomos visitar os túmulos dos Reis Saudidas, exemplos da arquitectura tradicional árabe.

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Enfiaram-nos, como é costume em todas as excursões, numa loja tipo perfumaria/farmácia, onde se vendiam todo o tipo de ervas e especiarias, perfumes e mezinhas.

O Jorge estava particularmente interessado num chá afrodisíaco

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e as meninas nos produtos de cosmética à base de óleo de argan.

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Servi de cobaia para um produto qualquer para pintar os lábios e fiquei feita palhaça (para não dizer  coisa pior) pintada de carmim nos lábios. Um horror!

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Fomos almoçar num restaurante espectacular chamado Riad Mohan, creio, com bancos reclinados tipo Sheerazade e um menu fixo de 18 € que se traduziu num exagero de comida para a malta toda. Comi um couscous que dava para três pessoas. No mínimo!!!!

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Depois de almoço fomos finalmente até à famosa praça Jemaa El Fna, onde os franceses no período da ocupação se entretinham a cortar as  cabeças dos criminosos, só para marcar posição. Mas acredito que a tradição vem de trás, pois os marroquinos, entre eles, tinham fama de grandes crueldades. Daí o nome de “Assembleia dos Mortos” lhe vir com certeza de tempos anteriores, pois califas e sultões não eram para modas.

Atravessámos a praça com a rapidez possível no meio daquele extraordinário caos de bancas de comida,vendedores da banha da cobra, aguadeiros, encantadores de serpentes, a somar a transeuntes que passeiam em todas as direcções, juntamente com motoretas e bicicletas que apitam para agravar a cacofonia dos batuques e pífaros.

Seguimos na direcção do intrincado de ruelas encantatórias do Souk.

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Lojinhas de tudo e mais alguma coisa com os respectivos artesãos a mostrar, insistentemente o produto da sua arte, de ferro forjado ou couros ou cerâmicas, ou de tudo um pouco, não sem antes ter passado pelas tâmaras , azeitonas, pistácios, tudo a granel em cestas ou aquela colecção colorida de doces caramelizados, com diferentes feitios.

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Esta travessia do Souk era com o objectivo de visitarmos a Madrassa Ben Youssef, mais uma vez no tradicional estilo arquitectural árabe. A sua fundação datava do sec. XIII (não sei se deles se nosso) e consistia num pátio central com um lago para as ablações que antecediam a mesquita.

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Em redor do pátio, num andar superior ficavam os diferentes quartos dos estudantes que estudavam matérias como matemática, geometria ou filosofia e teologia, claro, já que só podia entrar para a madrassa quem fosse capaz de decorar todos os versículos do Corão. Dava para imaginar os jovens rapazes espreitando das janelas rendilhadas, só homens claro, pois às mulheres, estas coisas estavam naturalmente vedadas.

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Saídos da madrassa regressámos ao souk, espreitando em cada ruela ou lojeca, e em cada uma, um colorido de sapatos, de rostos, de panos, de latões dourados ou espelhos, sempre com gente de um lado para o outro, em constante movimento por entre o dédalo de ruas. De volta à praça o guia conduziu ao hotel o Rocha, o Carlos e a Cacilda, enquanto os restantes ficaram para apreciar o famoso fim de tarde na praça Jemaa.

Resolvemos subir à varanda de um dos cafés que a rodeiam para poder ver melhor, e aí sim, pudemos desfrutar daquele mar de gente ululante, que se agrupa em torno de trupes de acrobatas, ou tocadores e tambores ou vendedores de tudo um pouco e que arranjam todos os subterfúgios para cobrar mais um “dirham” “dirham”.

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Para uns é um macaco amestrado que trepa por nós acima, para outros são as cobras, que parecem meias mortas mas provocam grande excitação entre os estrangeiros passantes.

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As figuras mais interessantes desta babel são os aguadeiros com vestes super coloridas, onde predominam os vermelhos, e canecas de latão dourado onde fornecem de beber, mas que fundamentalmente cobram à fotografia. O seu apetrecho mais notável é um chapéu colorido, tipo sombrero pontiagudo, com borlas, que lhes dão um ar vagamente deslocado, mas que os tornam visíveis em qualquer ponto da praça.

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E por ali estivemos, a observar este vaivém de gente, caleches, motoretas, até ao por do sol.

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Depois fomos petiscar na praça algumas especialidades locais, antes de regressar a correr para o hotel onde tínhamos combinado um encontro com o guia.

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Quando chegamos, para adiantar serviço fizemos o pagamento do quarto, e esperámos por ele. A chegada do guia Abdula trouxe uma nova surpresa:

  • As mulas que carregam os materiais, por causa da neve, não vão até ao abrigo, por isso, vamos ter que levar as mochilas carregadas com os nossos pertences pelo menos durante uma ascensão de 700 mts. Vai ser obra.

Fomos para o quarto, a correr, refazer as mochilas e tentar ao máximo racionalizar as coisas a levar.
Depois foi banho e cama. Vamos ver o que nos espera amanhã.

NOTA: Fotos de Cacilda e Jorge

09 de Abril 2011 - Dia da Partida, por Cristina Ribeiro

09 de Abril 2011

Dia da Partida

Eu e o Manel, acordámos às 08:30. Durante toda a semana anterior, o Manel ajudou-me a empacotar as coisas porque tenho sempre o síndrome das “coisas que faltam” e depois esqueço-me das essenciais.

Almoçámos pelo meio-dia e vinte e fomos buscar a Ana. Ir buscar a Ana significa dar a volta ao prédio e estacionar na rua ao lado. Ela lá veio e partimos para o aeroporto onde chegámos antes das 14:00, hora que estava prevista para nos encontrarmos.

Quando chegámos já estavam o António Rocha, o Carlos e a Cacilda. Pouco depois chegou a Rita, o Jorge e a Cremilde, o André, a Maria da Luz e por fim o António Cândido, que é Médico e que saiu do hospital para o aeroporto.


Também apareceu a Sandra, qual repórter, para pôr no blog as últimas fotos antes da partida e anotar as últimas ideias, ou aquela coisa que voltámos atrás para ir buscar e que era absolutamente fundamental. O certo é que a malta toda se esqueceu da touca de banho para o SPA do hotel!!

Pensar que vou a Marrocos finalmente, ao fim destes anos todos e de várias viagens marcadas e sempre adiadas é um pensamento reconfortante… Após um longo check-in deixámos os visitantes no controlo de segurança e seguimos viagem.


Depois do tira e põe do controlo (para a próxima o termos tem que ir para o porão pois fui obrigada a abrir a mochila) partimos para a porta de embarque, onde constatámos o atraso do voo, que estava previsto para as 16:00 mas que à hora não se via nem vislumbre de avião.

Últimas Notícias: O voo foi cancelado. E agora?

O Jorge foi ao balcão confirmar o cancelamento e trazer informações. As notícias não era boas. O voo tinha efectivamente sido cancelado e só teríamos voo às 21:40 para Casablanca e depois ligação para Marrakech. Mas, cortesia da Royal Air Marroc, para nos entreter davam-nos um lanchinho num dos cafés da zona de embarque. E lá rumámos todos para o lanchinho, não sem antes passar novamente nos vários controlos de tira e põe mochila, casacos e malas.

A Maria que tinha trazido um frasco com impermeabilizante para as botas e que tinha passado incólume da primeira vez, foi obrigada a desfazer-se do precioso líquido no controlo. Como tal, as botas da Maria foram impermeabilizadas no balcão da segurança, sob o olhar desconfiado dos guardas. Na confusão das bagagens, o André perdeu de vista o passaporte, que só foi encontrado na mala da Maria, uns bons minutos depois e perante os olhares de puro pânico do jovem, pois ela, após a fúria impermeabilizadora, guardou ciosamente, tudo quanto a sua vista contemplava, passaporte alheio inclusive.

A caminho do lanche liguei ao Manel a contar o sucedido. Passado 10mts já estava no Aeroporto para me ir buscar. Eram umas cinco da tarde, teríamos que voltar às 19:00 (…)

Depois de mais uma banhoca e uns amendoins regressámos ao aeroporto para reencontrar os companheiros. Lá estavam todos, esperando pacientemente a hora de embarque. O voo já tinha sido adiado mais um pouco e o embarque estava previsto para as 21:00. Novas despedidas beijinhos e abraços. No check-in, foi-nos dito que devido ao atraso, nos seria oferecida nova refeição, no mesmo local onde à tarde nos tinham dado umas sandochas. Fomos todos a caminho do restaurante mas antes tivemos novamente o tira e põe, tira e põe do controlo de segurança.

O António Rocha, prevenido pelas duas vezes anteriores, em que tinha apitado sempre por causa do cinto, resolveu, numa jogada de antecipação, retirá-lo e tentar evitar novas apalpadelas. Mas, não. Apesar de não apitar foi apalpado na mesma. É aleatório – explicaram os seguranças. Mas porque será que o aleatório calha sempre aos mesmos - queixava-se o António Rocha.

No restaurante népia. Não nos deram de comer. Que não havia comida, que não tinham ordens, que a companhia não avisou… (…) Depois de uma deslocação do Jorge de volta ao check-in para tentar descobrir o que se passava, verificou-se que não tínhamos direito a nada, que não sabiam de nada. E viva a Royal Air Marroc!! Mas isto não fica aqui! Quando finalmente chegamos à porta de embarque tivemos de esperar mais uma hora, pois o voo tinha sido novamente adiado.

Quando finalmente embarquei no autocarro de transporte para o avião só pensava que provavelmente já tínhamos perdido o voo de ligação para Marrakech, que estava previsto para as 23:30. O Rocha com uma fleuma britânica dizia: as noites de Casablanca são famosas.


Foi então que vi o avião, ou por outras palavras, o Tuc-tuc voador que nos ia transportar para Casablanca – Um bi-motor a hélices, com um ar podre. Fiquei sentada ao lado do André que espreitava pela janela a ver se as hélices pegavam: “A da direita, sim; a da esquerda, nada, nem sinal de vida!” O André ria-se e dizia: “Olha! Lá caiu mais um parafuso.”

Duas horas nisto. O treme-treme do Tuc-tuc voador foi constante. Chegámos finalmente a Casablanca, depois do susto da aterragem para uma nova surpresa, com a cortesia da Royal Air Marroc; não havia voo para Marrakech e das duas uma:
  • Ou nos levavam já de camioneta num trajecto de três horas e meia
  • Ou então ficávamos num hotel em Casablanca e seguíamos no voo das 08:30h.
Num compasso de espera, entreolhamo-nos para ver qual era a sensibilidade do grupo: uns queriam ficar e dormir e outros queriam seguir viagem. “As estradas de Marrocos são péssimas.” - tinha sido o comentário de um dos companheiros de voo daquela viagem, provavelmente pensando naquele acidente que tinha acontecido com um grupo de turistas portugueses, há relativamente pouco tempo.

Quase decididos a ficar, somos confrontados pelo representante da companhia com a informação que afinal o voo era às dez e meia, mas mesmo que não houvesse voo, amanhã de manhã haveria com certeza uma camioneta. Isto levou o pessoal a decidir partir de imediato. Teríamos que dormir na camioneta e amanhã de manhã já lá estávamos.


Depois de uma viagem às escuras e em silêncio chegámos finalmente a Marrakech. Chegámos derreados, estafados, exaustos às 06:00 da manhã, doze horas depois da hora inicialmente prevista. Tudo isto com a cortesia da Royal Air Marroc.

NOTA: Fotos da Sandra e Cacilda

Diário de Viagem

Agora que a expedição já lá vai… Que os nossos caminheiros já tiveram tempo para voltar à rotina, começam a surgir os relatos desta viagem na 1ª pessoa.
Inicia-se assim um novo capítulo neste blog, “Diários de Viagem”, em que se convidam todos os participantes na expedição a partilhar as memórias do que esta viagem foi.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Troca de presentes em Armed, por Maria

Olá
Desafiei a minha Inês a escolher brinquedos em boas condições, que fossem leves (devido ao limite de peso para o avião).
Como já está crescidinha, tratou de encher um saco de plástico com bonecos, animais e Pollys (para quem não sabe, são umas bonecas em miniatura que fazem a delícia das meninas).
Tivemos o privilégio de vermos a alegria de algumas das crianças de Armed, quando receberam os nossos presentes e a minha filhota ficou orgulhosa quando viu a foto de um menino com um dos bonecos que ela tinha oferecido.

Pois foi com grande surpresa e boa disposição que, após o passeio pela aldeia, e depois do primeiro banho em 3 dias, à chegada ao albergue, os nossos guias nos começaram a “enfeitar” com colares (estes apenas para as senhoras) e turbantes, que simpaticamente nos ofereceram.

Gerou-se um ambiente de festa que nos animou o jantar e que culminou com cantares e danças com que os rapazes berberes nos brindaram.


Fomos realmente estragados com  mimos por toda a equipa do Abdula!
Um abraço,
Maria da Luz Ramiro

A viagem dos brinquedos, por Cremilde

Olá a todos!
Quando o Jorge lançou o desafio de levarmos coisas (brinquedos ou material escolar) para os meninos da Aldeia de Armed, eu lembrei-me logo da "gaveta das trapalhadas" (entenda-se pela gaveta onde vão todos os pequenos brinquedos que são ofertas duma certa cadeia alimentar :) e outros) do Miguel, o meu filho.
Consegui encher um saco médio e depois pedi-lhe autorização para ir buscar mais alguns brinquedos de que já não precisava. Como ele gosta de partilhar, foi buscar mais uns quantos brinquedos para eu levar.
No dia da partida eu e o Jorge ainda fomos comprar material escolar para levarmos: lápis, folhas, lápis de cor, afias, etc.
É sempre bom ver a alegria das crianças quando recebem brinquedos. Para nós são coisas simples mas para eles são coisas sofisticadas.


Na nossa visita à aldeia pude observar as brincadeiras destas crianças, sempre a correr pelas ruas íngremes e com brinquedos do antigamente (ex uma lata de atum com rodinhas!) e muitas delas com bolas furadas (e eu com tantas bolas lá em casa! fica para a próxima :)
Bjs,
Cremilde

Recados das nossas crianças para as crianças berberes, por Jorge Ribeiro

A ideia era no fundo contrariar o conceito europeu de visitar África carregados de moedas e de notas e com um saquinho de rebuçados para presentear os meninos e meninos que sempre saem ao encontro dos turistas europeus vestidos de cores alegres e garridas.

Este contraste entre povos com culturas diferentes mas que, no que a Portugal diz respeito, no passado se entrecruzaram e estabeleceram relações aos mais diversos níveis, poderia, nos tempos de hoje, constituir motivo para aprofundar laços entre estes povos e, ao mesmo tempo, lançar caminhos de Futuro.

E foi assim que recolhemos por cá, na intimidade das nossas casas, bonecos, bonecas e brinquedos que, no passado, foram capazes de soltar sorrisos nos rostos das nossas crianças e de animar sonhos acordados e grandes aventuras. E aos brinquedos acrescentámos material escolar, para que o prazer da expressão gráfica pudesse acontecer, ao colorirem as folhas brancas com canetas e lápis multicolores, acrescentando vida aos materiais.

E com a colaboração activa dos nossos meninos e meninas se conseguiram reunir brinquedos europeus cheios de histórias por contar. E esta foi também uma forma de os ensinar a respeitar as diferenças e a gostar de Todas as crianças do Mundo.

São recados de amor entre crianças de diferentes continentes que servirão no futuro para o estreitamento de relações e para o estabelecimento de laços entre crianças de diferentes culturas e isso é, de facto, verdadeiramente importante.

E os brinquedos e o material escolar foram entregues por Pais portugueses a Pais berberes. E os Pais berberes, representados pelo nosso Guia Abde Lahe, com a sabedoria dos seus Avós, procederam à entrega dos presentes das crianças portuguesas às suas crianças berberes, em rituais de passagem, transmitindo ao mesmo tempo e com renovada dimensão todo o afecto posto na entrega dos presentes.


E as crianças adoram receber brinquedos... Adoram saber que existem e que os adultos se lembram e gostam delas. E por isso foram dias de festa na aldeia de Armed.


E depois de termos subido a Mais Alta Montanha do Norte de África, guiados pelos nossos amigos Mohamed e Lahsil, voltámos a uma aldeia em que as crianças davam vida aos brinquedos que tinham recebido.

Os bichos e os heróis desconhecidos animavam a vida destas crianças. As latas de atum com rodinhas davam lugar ao rei leão e aos bonecos e bonecas que alimentavam a imaginação destas crianças e que as fazia correr felizes pelas íngremes ruas da aldeia.


Armed tinha Vida! Armed tinha a Vida das crianças e tinha adultos felizes por verem as suas crianças felizes. E nós éramos os homens e mulheres que, de Portugal, tínhamos viajado até lá para lhes levar presentes e espalhar sorrisos e éramos reconhecidos como Amigos de Armed. Foi, sem dúvida, um regresso feliz às Aldeias das nossas memórias, às Aldeias em que todos éramos solidários e genuinamente felizes.

E foi com os risos e os gritos das crianças que brincavam e corriam pela Aldeia de Armed que o Sol se escondeu, deixando que a Luz da Lua iluminasse as últimas correrias do dia e os sorrisos nos rostos das crianças. E os sorrisos não eram só das crianças presenteadas. Eram também de muitos bebés ao colo de suas mães e das mães, pais e avós. E nós já não éramos simples turistas éramos amigos dos filhos, dos netos, dos pais e dos avós. Éramos Amigos de Armed!

As cumplicidades aconteceram e o ambiente tornou-se verdadeiramente aconchegante. A tranquilidade de um pôr do Sol em África e na Montanha tomou conta de nós. E foi nessa “morabeza” que fomos surpreendidos pela aldeia de Armed.

O nosso guia Abde Lahe resolveu presentear-me, como líder da Expedição, com um geode, com um magnífico tapete berbere, com um chapéu e com um lenço que ele fez questão de me colocar na cabeça. E, assim, um a um, todos fomos presenteados com um lenço berbere que cada um dos nossos outros guias, cozinheiro e muleteiros lhes colocaram de acordo com a tradição berbere.

As meninas foram ainda presenteadas com colares multicolores. O ambiente era de festa. E a festa continuou com um magnífico jantar confeccionado pelo nosso cozinheiro, com entradas, pratos tradicionais berberes e magníficos doces a acompanharem um soberbo chá de menta.


E depois veio a música e a dança e o convívio entre gentes e povos. E foi único.


Fomos recebidos com o coração e isso sente-se em cada gesto. Passámos a existir naquela aldeia e naquelas gentes e aquela aldeia e aquelas gentes passaram a existir dentro de cada um de nós. E a noite veio e os nossos sonhos foram habitados por toda esta fantástica gente que sabe receber com a simplicidade dos homens e mulheres que guiam os destinos daquela aldeia berbere.


De manhã, depois de um magnífico pequeno-almoço, foi tempo de partir em direcção a Marraquexe e de olhar com a nostalgia da partida as Gentes que deixámos no seu mundo, um mundo cheio de tempo e ao mesmo sem a necessidade de ter instrumentos de medida. O tempo ali rege-se pelos elementos e os relógios apenas existem para a chamada para as orações e para a entrada nas escolas. Em tudo o resto o tempo é propriedade dos homens, mulheres, jovens e crianças que habitam a aldeia de Armed.


Este outro tempo renascia de dentro de nós, de novo povoado de belos e indizíveis Silêncios que passaram a habitar o álbum das nossas mais belas memórias.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os nossos guias - contactos

Deixo-vos aqui com os contactos dos nossos guias.

Foi graças a eles que a expedição correu tão bem. Claro que a dinâmica deste grupo também ajudou em muito que a expedição fosse um sucesso, mas se não fossem estes fantásticos guias, não o teríamos conseguido.

Por isso aqui vos deixamos os contactos deles, porque se alguma vez precisarem de subir o Toubkal, com eles estarão certamente bem servidos:

Abdu LaGuia Abdula (Id Blaide Abde Lahe)

Mobile: 00212651305752 ou 0021270341743
E-mail: atlasworkking@yahoo.fr

Agradecimento muito especial aos nossos guias

Olá a todos!

Gostaríamos de vos apresentar os nossos guias berberes, estes novos amigos, feitos na montanha, que foram cruciais para que esta expedição fosse levada a bom porto.

Todos, sem excepção, revelaram-se Pessoas "em bruto" com tudo o que isso tem de melhor:

  • Uma sabedoria imensa, "camuflada" pela sua tamanha humildade;
  • Uma boa disposição sempre presente e o humor subtil, que é o mais requintado

Receberam-nos de braços (muito) abertos, com uma disponibilidade arrasadora e uma simplicidade tremenda que nos fez recordar que a nossa riqueza está nas nossas acções e a capacidade de do pouco fazer uma imensidão.

Em jeito de agradecimento aos nossos guias berberes, ficam aqui algumas fotos deles e algumas palavras, sentidas pelos elementos do grupo.

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ABDULAH (aqui acompanhado pelo Jorge)

  • Grande patrão de uma excelente equipa. De uma hospitalidade sem paralelo.

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MOHAMED e LAHSIL (aqui muito bem acompanhados pela Maria):

  • Discretos, mas sempre atentos: quando pressentiam alguma dificuldade lá estavam eles a nosso lado para nos apoiar ou para corrigir algum erro.

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COZINHEIRO:

  • Excelente! Impediu que o grupo viesse sem aqueles quilitos que alguns de nós esperavam perder, tendo inclusive o cuidado e atenção em preparar uma alternativa vegetariana evitando que a Ana incorresse em qualquer "pecado da carne"

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MENINOS DAS MULAS:

  • A sua discrição só nos permitiu dar por eles na hora em que esperávamos carregar com a nossa tralha, tarefa que eles, simpaticamente, assumiram de boa vontade.

Deste modo, todos os elementos do grupo lhes deixam os agradecimentos pela eterna disponibilidade, pela competência e bem receber.

Muito Obrigado! Chokran!

Ana, André, António, Cacilda, Carlos, Cremilde, Cristina, Jorge, Maria, Rita, Rocha

terça-feira, 19 de abril de 2011

Regresso a casa, por António Rocha

Olá.

Quase de partida para um novo cume, desta vez com um grupo muito experiente e desafiador, vou, de certeza, lembrar-me muitas vezes da coragem daqueles de vós que enfrentaram pela primeira vez a Montanha, a qual, sendo muito bela, como uma mulher não se deixa conquistar sem sofrimento, sacrifícios e, qual princesa Turandot, alguns perigos que só os eleitos conseguem vencer.

Parabéns a todos!

António Rocha

Noite de insónia, com final feliz - por Rita

Olá!

Nunca pensei que uma noite de insónia tivesse um final tão feliz :-))

Cheguei a casa com uma confusão de emoções e sem palavras para exprimir o que senti e vivi. E foi tudo tão bom! Mas nenhuma palavra ou foto lhe faz justiça!

Recordo acima de tudo o sentimento de paz e vazio da montanha.
Lá em cima não há espaço para pensamentos, só existe o essencial e muita humildade. Nunca tinha experiênciado o silêncio de uma maneira tão fantástica.

E da descida recordo com muita alegria os meus saltos na neve, acho que fui criança outra vez!

Um muito obrigada a todos por terem tornado esta semana tão especial e um agradecimento ao Jorge por nos ter apresentado a Montanha.

Beijos,

Rita

Uma viagem, mil experiências - por André Ribeiro

Olá a todos,

Pois é, esta viagem/expedição permitiu-nos conhecer muito para além do simples turista de Chez Ali :). 

Foi inexplicável o verdadeiro contacto com os cheiros, as cores, os sons, as Pessoas e os seus costumes. E até neste parâmetro de "pessoas/costumes" tivemos oportunidade de conhecer pessoas diferentes... As da montanha e as de Marrakech.

Não sei se todos concordam, mas eram pessoas tão diferentes!
Isto só reforça uma das minhas conclusões desta expedição: 
  • A Montanha faz-nos diferentes!
Depois de recuperar o sono (sim, estou de férias!:P), e depois de fazer o verdadeiro regresso a casa, senti que a semana que passou foi verdadeiramente inesquecível. Pela experiência que ganhei, pelas pessoas que conheci, (e sim conheci - a montanha tem esse dom de nos permitir contactos fortes em muito pouco tempo), pela partilha de tudo, incluindo tosses e afins eheh.

Hoje e nos próximos dias deparo-me com um problema... Não consigo explicar o que passei e o que vivi nessa semana, e nem imagens, nem vídeos conseguirão fazer os meus amigos e família perceber o que foi viver Marrakech, o Atlas e as suas Montanhas, as suas gentes, os seus olhares e expressões. 

A oportunidade de ser abraçado pelas montanhas (literalmente), tenho de a agradecer ao meu tio Jorge Ribeiro, mas há algo que tenho de agradecer a todos: 
  • A aprendizagem de fazer cume com todos e voltar com todos!
Obrigado!

Abraço de uma pessoa Diferente!

André Ribeiro

Uma viagem inolvidável, por Carlos

Olá!!!
 
Esta foi sem duvida para mim uma viagem inolvidável!!
 
Isto porque, apesar de não ter conseguido perder os tais quilitos que pretendia, consegui - com a entreajuda de todos os valentes amigos - chegar lá, ao alto das Emoções...
E esse momento perdurará para sempre na minha mente e os amigos passarão a acompanhar-me, junto do meu coração.
 
O espírito da Montanha passará a habitar dentro de mim, pois isto não é uma coisa que se consiga explicar, mas que se sente.
 
Aquele valente abraço de Cume, que agora todos sabemos o que "É"!!
 
Carlos

Regresso a casa, por Cremilde

Olá a todos!
Revejo-me em quase todos os comentários já feitos:
  • A nossa capacidade de ajudar os outros fez com que todos alcançássemos o Cume.
  • A boa disposição de todos também ajudou bastante.
Esta "aventura" permitiu-me muitos momentos de meditação (entenda-se por ausência de pensamentos) que me fizeram muito bem. 
A chegada ao Cume, com o céu limpo, permitiu ver uma paisagem espetacular (montanhas com neve a perder de vista) e deu para pensar que vale sempre a pena o esforço.
Gostei MUITO desta experiência!!!
Da Montanha e das pessoas ;-) Espero repeti-la mas noutros Continentes :-)
Bjs e até breve
Cremilde

PS: Afinal o "mal da altitude" está a dar-me agora (cansaço e sono) :-)

Regresso a casa, por António Cândido

Caros Companheiros e Amigos:

 

Hoje já voltei ao trabalho, a maioria de nós também terá voltado à nossa rotina diária. Porém o que eu noto é que apesar de ter sido "só" uma semana de férias, venho mais "descansado" do que de outras férias mais repousantes e mais longas. Além de estar "descansado" após uma semana sem trabalhar, esta viagem conseguiu penetrar na memória de uma forma muito especial. Para mim foi a primeira subida a um cume e foi a mais prolongada ausência para fazer trekking.

Foi uma experiência muito boa! Um grande contacto com a Natureza! Felizmente tivemos bom tempo, assim não houve impedimento para caminhar e para alcançar o cume.

Alcançar o cume foi uma emoção colectiva. Felizmente todos chegámos, o que acrescentou uma particular satisfação a todo o grupo.

Particular agradecimento ao Jorge Ribeiro que sabe manter um grupo motivado e que organizou muito bem a logística da viagem. O André em excelente condição física a ajudar se necessário, o António Rocha experiente e com serenidade. Não esquecemos os dois guias locais que foram exemplares em dar atenção a todos os elementos do grupo, sempre prontos para ajudar no momento em que podia ser necessário, em particular no dia da subida ao cume.

Sabemos que as Montanhas exigem atenção, treino e ponderação para que tudo corra bem. Estou certo que ficamos todos mais experientes e motivados a fazer outras viagens como esta.

Um Grande Abraço:

António Cândido

Regresso a casa, por Cacilda

Amigos,
 
Foi um prazer enorme compartilhar convosco esta grande Aventura.
 
Um bem haja a todos pela a Amizade e companheirismo, e um bem haja muito especial ao Jorge que nos proporcionou esta experiencia inesquecível. 
Com o seu empenhamento a sua dedicação e a sua força de vencer, conseguimos todos cumprir o objectivo:
 
"Conquistar o Cume".
 
Beijinhos a todos,
 
Cacilda